quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Da série Cartas às 7 Igrejas da Ásia Menor. IBCA, 30/10/13.





CARTA À IGREJA DE TIATIRA

TEXTO BASE: Apocalipse 2.18-29
TIATIRA: Sacrifício de Trabalho.
AK-HISSAN: Castelo Branco; moderna cidade turca.
A igreja de Tiatira (Ap 2.18) é a menor das 7 igrejas da Ásia Menor (Ásia proconsular), no entanto é a que recebe a carta com maior conteúdo e com a advertência mais severa.  Por volta do ano 90-95 d.C., o imperador Domiciano promoveu perseguição a estas igrejas. 
O propósito das cartas direcionadas a estas igrejas é transmitir esperança e conselhos aos crentes destas igrejas.
A linguagem usada é a apocalíptica; um tipo de literatura judaica que usa imagens simbólicas para transmitir esperança às igrejas perseguidas.
A principal atividade da cidade era a fabricação, tintura e comercialização de tecidos.  A bíblia faz menção a uma comerciante de púrpura, oriunda desta cidade, que na ocasião encontrava-se em Filipos (At 16.14), provavelmente a primeira convertida de Tiatira.  Especula-se que o trabalho evangelístico protótipo tenha se iniciado em sua residência.  A cidade dedicava-se também ao fabrico e comercialização de cerâmica.
A cidade não era sectária particular de nenhuma religião específica, como acontecia, por exemplo, em Éfeso, onde os adoradores de Diana ou Artemis afluíam em peregrinação.
SEGUNDO ALGUNS COMENTARISTAS QUANTO À CRONOLOGIA EM PROJEÇÃO DE ERAS DA IGREJA, ESTA SERIA A IGREJA PAPAL, QUE CORRESPONDE AO PERÍODO DA IDADE MÉDIA (600-1517 d.C.).
FOI ENALTECIDA A SEGUINTE POSTURA DA IGREJA DE TIATIRA:
1.   A igreja era marcada por amor - A igreja possuía a maior das virtudes, o amor. O que faltava em Éfeso havia em Tiatira;

2.   A igreja era marcada por fé - Confiança em DEUS;

3.   Operosidade no serviço cristão - Havia trabalho, agenda cheia;

4.   A igreja era marcada pela perseverança ou paciência triunfadora - A igreja passava pelas provas com firmeza;

5.   A igreja estava em franco progresso espiritual - As últimas obras da igreja eram mais numerosas que as primeiras. Essas marcas eram do remanescente fiel e não da totalidade dos membros.

FOI REPREENDIA A SEGUINTE CONDUTA DA IGREJA DE TIATIRA:
1.   JESUS reprova a igreja por ser tolerante com o falso ensino e com a falsa moralidade. Enquanto Éfeso não podia suportar os homens maus e os falsos ensinos, Tiatira tolerava uma falsa profetisa, chamada Jezabel. A segunda Jezabel estava induzindo os servos de DEUS ao pecado. Pregava que os pecados da carne podiam ser livremente tolerados. A liberdade que ela pregava era uma verdadeira escravidão;

2.   A tolerância da igreja com o falso ensino provoca a ira de JESUS. A igreja abriu as portas para essa mulher. Ela subia ao púlpito da igreja. Ela exercia a docência na igreja. Ela induzia os crentes ao pecado. A igreja não tinha pulso para desmascará-la e enfrentá-la;

Com a Disseminação do espírito de Jezabel deu-se:
a)     Imoralidade,
b)    Desvio da sã doutrina (prostituição) e
c)     Idolatria.

CABE-NOS RESSALTAR QUE O PROPÓSITO DE CRISTO NÃO ERA HUMILHAR A IGREJA, MAS ANTES DE EXERCER O JUÍZO SOBRE ELA, A CONFRONTA EM MISERICÓRDIA - v. 21.

AO OLHARMOS PARA AS VIRTUDES DESTA IGREJA, CERTAMENTE NOS IDENTIFICAREMOS COM ELAS, POIS AS PRATICAMOS NA IBCA; NO ENTANTO, O ORGULHO PODE PRECEDER UMA QUEDA.  TEMOS LUTADO PARA NÃO NOS CONTAMINARMOS COM DOUTRINAS FALSAS.
SOMOS ADMOESTADOS A NÃO BAIXARMOS NOSSA “GUARDA” ESPIRITUAL E PERMANECERMOS VIGILANTES, A FIM DE NÃO INCORRERMOS NOS ERROS DE ALGUMAS DAS IGREJAS QUE ESTAMOS ESTUDANDO.

O ESPÍRITO DE JEZABEL
Cabe aqui um esclarecimento acerca deste espírito de Jezabel (cfe. I Rs 22).  A esposa do Rei Acabe, de Israel, foi considerada a mulher mais ímpia da bíblia; pois ela rejeitou completamente ao Senhor.  Jezabel foi determinada em fazer com que Israel adorasse seus deuses e abandonasse ao Deus de Israel. Com sua conduta ela conseguiu levar Israel a um tal declínio espiritual que culminou com sua queda.  Por conta disto, Deus puniu as dez tribos do norte pela sua idolatria, conduzindo o seu povo ao exílio.
O poder persuasivo de Jezabel controlava o chefe da nação israelense e mais 850 sacerdotes pagãos.  Ela era obstinada, cruel e egoísta (como quando provocou a morte de Nabote somente para apropriar-se de sua vinha).  Ela promoveu a adoração a Baal, Entendia que um regente podia fazer tudo o que desejasse.
Jezabel representa a perversão, a feitiçaria, a rebelião e a grande iniqüidade.
O v. 20 fala da profetiza que é, segundo alguns comentaristas, simbolicamente chamada ou retratada como Jezabel.  Em alguns manuscritos foi feita a inserção curiosa de “tua mulher Jezabel”, que implica ser o “anjo da igreja”, o seu administrador.  O Dr. Carroll, aceita esta posição: “Tratava-se da mulher do pastor, por parecer no original a palavra “y u v n”, que pode significar esposa.
O v. 23 versa sobre a onisciência de Deus, Ele sonda as verdadeiras intenções do seu povo.  Somos conclamados a uma analise introspectiva e posterior confissão e abandono da prática do pecado; para servirmos ao Senhor, andando em novidade de vida.
V. 24 - o espírito de Jezabel era vigente naquela igreja.  Somos exortados na atualidade a termos cuidado com as “profundezas de Satanás”, que correspondem aos falsos ensinos, ao misticismo, tudo isso envolto de uma roupagem piedosa, porém fruto do ensino de demônios, objetivando perverter a fé genuína.  Daí a determinação do Espírito para que nos mantenhamos firmes diante da Palavra de Deus, rejeitando todo ensino que deixa a bíblia de lado (Gal 1.8-9: “Se algum anjo [...] seja anátema”); Paulo também nos adverte contra esta filosofia demoníaca em II Cor. 11.1-4.
Quando Jesus determina a escrita destas cartas aos “anjos” das 7 igrejas em questão, Ele se apresenta como aquele que tem na destra as 7 estrelas e os 7 castiçais de ouro (igrejas).  Em Apocalipse, dentre os títulos que descrevem Jesus, ele se apresenta como a Estrela da Manhã; uma alegoria que demonstra que quando o mundo tiver atingido o seu ponto mais sombrio, Cristo entrará em cena para expor o mal através da luz de sua verdade, concedendo a recompensa cabível a cada um.
Aqueles que se prostituem com Jezabel, correspondem aos que abraçaram integralmente a sua doutrina.  A cama ali referenciada no verso 24, destinada a Jezabel e aos seus asseclas é interpretada como a Grande Tribulação.
O problema desta igreja centralizava-se também nas questões comerciais, os grêmios ou sindicatos tinham práticas ligadas ao paganismo; onde em suas cerimônias comiam alimentos sacrificados aos ídolos e dedicavam-se a prostituição cultual.  Esta era uma prática desta profetisa que propaga os ensinos dos nicolaítas. 
OS NICOLAÍTAS diziam que os crentes podiam se entregar a estes excessos, pois por conhecerem a verdadeira essência da profundeza de Deus, suas almas não se contaminariam (Rm 6.13).  O ensino dela era que não há mérito em vencer um pecado sem antes experimentá-lo. O argumento dela é que para vencer a Satanás é preciso conhecê-lo e que o pecado jamais será vencido a menos que você tenha conhecido tudo por meio da experiência. Mas a Bíblia diz que não podemos viver no pecado, nós o que para ele já morremos. Paulo diz, "na malícia... sede crianças (1 Co 14:20) e "que devemos ser símplices para o mal" (Rm 16:19). b) A falsa moral - A proposta de Jezabel era oferecer uma nova versão do Cristianismo, um Cristianismo liberal, sem regras, sem proibições, sem legalismos.
A DOUTRINA DOS NICOLAÍTAS.
“Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio”. (Ap. 2.6)
“Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu odeio”. (Ap. 2.15)
Qual o significado da palavra “nicolaítas” mencionada na carta à igreja em Éfeso? A palavra nicolaítas significa: superior aos outros. “nicolaítas”, em grego, é composta de duas palavras: “nikao” e “Laos”. Nikao significa “conquistar” e Laos significa “povo comum” ou “Laicato” (leigo). Então, “nicolaítas” significa “conquistando o povo comum ou leigo”.
Os partidários desta seita seguiam a doutrina de Balaão, que ensinava Balaque a colocar tropeços diante dos filhos de Israel, e que dizia que os cristãos podiam comer das coisas sacrificadas aos ídolos e participar das práticas comuns ao paganismo.
O Salvador aboliu a divisão clero/leigo. Quando ele morreu, o véu que separava o Criador do povo rasgou-se, pondo fim a classe mediadora. O Salvador aboliu a necessidade de sacerdotes e ele mesmo se constituiu o único mediador entre os homens e o Eterno (I Timóteo 2.5).
O sistema de padres das denominações do mundo, o sistema clerical da denominação do estado, e o sistema pastoral desenvolvido por apóstolos, patriarca das nações e outros dominadores, são todos de uma mesma natureza.
O Senhor nos concedeu arbítrio moral, conforme Gênesis 2.16-17; poder de decisão entre certo e errado; assim sendo, não devemos nos colocar debaixo de nenhuma autoridade espiritual que não seja a divina, pois Jesus “é o único mediador entre Deus e os homens, como vimos acima.  Alguns sistemas e visões celulares tendem a adotar um sistema de pseudo cobertura espiritual humana, disfarçada em mentoria, o que se constituí em perversão da verdade.  Não somos impedidos de buscar orientações e conselhos em pessoas mais experientes, o que devemos evitar é a subserviência e a total dependência destas pessoas.
Dentre os princípios batistas, ressaltamos o do sacerdócio universal dos crentes, tendo na pessoa de Cristo o nosso único e sumo pastor.
Cremos na suficiência de Jesus Cristo como Senhor e Salvador, e na eterna salvação dos que nele crêem. Cremos que no ato de sua fé em Cristo, o novo crente recebe o Espírito Santo como penhor da herança eterna, iniciando-se, então, o processo da santificação cujo alvo é tornar o crente semelhante a Cristo.
Cremos na suficiência de Jesus Cristo como Senhor e Salvador, e na eterna salvação dos que nele crêem. Cremos que no ato de sua fé em Cristo, o novo crente recebe o Espírito Santo como penhor da herança eterna, iniciando-se, então, o processo da santificação cujo alvo é tornar o crente semelhante a Cristo.
Cremos, como biblicamente fundados, os princípios do sacerdócio universal dos crentes, de livre exame da Bíblia e, portanto, de livre acesso a Deus, por meio de Jesus Cristo. Por isso rejeitamos o sacerdotalismo, o sacramentalismo e o ritualismo, qualquer tipo de hierarquia na esfera espiritual e eclesiástica, e a pretensão humana de interpor-se entre o crente e Deus.
Cremos, outrossim, no princípio de autonomia da igreja local e de seu governo congregacional, sob a liderança de Jesus Cristo, seu único Cabeça.
Cremos, à luz de Efésios 4.11, que o Senhor provê pastores/mestres para Suas igrejas, a eles incumbindo pregar e ensinar a Palavra, sem mescla de erro, sem distorções, com fidelidade, dedicação, simplicidade e clareza
(2Tm 4.2-4).

CONCLUSÃO
A advertência destas cartas nos conduz a audição atenta aos conselhos do Espírito Santo; somos levados a uma reflexão sobre o momento grave que estamos vivenciando e a lutarmos incansavelmente para não nos tornarmos indiferentes, imorais, lenientes (tolerantes com o erro), pacientes, inertes ou descuidados com a nossa fé.
É possível manter-se puro na conduta mesmo quando outros se corrompem - v. 24.   Para tanto precisamos atentar para os conselhos de Oséias (6.3): “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor”.

BIBLIOGRAFIA (ESTUDO COMPILADO COM BASE NO MATERIAL ABAIXO):
BÍBLIA DE ESTUDOS APLICAÇÃO PESSOAL, CPAD, SBB, 2003.
BÍBLIA DE REFERÊNCIA THOMPSON, Ed. Vida, 4ª Edição, 1995.
O NOVO COMENTÁRIO DA BÍBLIA, Ed. Vida Nova, S.P., V III, 1963.
PINTO, Hermes C.; HIERARQUIA DO INFERNO, Edição independente.
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 5ª ed. S.P.: Hagnos, 2001. v. 1
VOS, Howard F.; REA, John. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
VINE, W. E.; UNGER, Merril F.; WHITE JR, William. Dicionário Vine. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
Lições Bíblicas do 2º Trimestre de 2012 - CPAD - Jovens e Adultos
“As Sete Cartas do Apocalipse — A mensagem Final de CRISTO à Igreja”.
Comentários da revista da CPAD: Pr. Claudionor Correa de Andrade
SITE: http://www.verdadeoculta.com.br


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