CARTA À IGREJA DE TIATIRA
TEXTO BASE: Apocalipse 2.18-29
TIATIRA: Sacrifício de Trabalho.
AK-HISSAN: Castelo Branco; moderna cidade
turca.
A igreja de Tiatira (Ap 2.18) é a menor das 7
igrejas da Ásia Menor (Ásia proconsular), no entanto é a que recebe a carta com
maior conteúdo e com a advertência mais severa.
Por volta do ano 90-95 d.C., o imperador Domiciano promoveu perseguição
a estas igrejas.
O propósito das cartas direcionadas a estas
igrejas é transmitir esperança e conselhos aos crentes destas igrejas.
A linguagem usada é a apocalíptica; um tipo
de literatura judaica que usa imagens simbólicas para transmitir esperança às
igrejas perseguidas.
A principal atividade da cidade era a
fabricação, tintura e comercialização de tecidos. A bíblia faz menção a uma comerciante de
púrpura, oriunda desta cidade, que na ocasião encontrava-se em Filipos (At
16.14), provavelmente a primeira convertida de Tiatira. Especula-se que o trabalho evangelístico
protótipo tenha se iniciado em sua residência.
A cidade dedicava-se também ao fabrico e comercialização de cerâmica.
A cidade não era sectária particular de
nenhuma religião específica, como acontecia, por exemplo, em Éfeso, onde os
adoradores de Diana ou Artemis afluíam em peregrinação.
SEGUNDO
ALGUNS COMENTARISTAS QUANTO À CRONOLOGIA EM PROJEÇÃO DE ERAS DA IGREJA, ESTA
SERIA A IGREJA PAPAL, QUE CORRESPONDE AO PERÍODO DA IDADE MÉDIA (600-1517
d.C.).
FOI
ENALTECIDA A SEGUINTE POSTURA DA IGREJA DE TIATIRA:
1. A igreja era marcada por
amor - A igreja possuía a maior das virtudes, o amor. O que faltava em Éfeso
havia em Tiatira;
2. A igreja era marcada por
fé - Confiança em DEUS;
3. Operosidade no serviço
cristão - Havia trabalho, agenda cheia;
4. A igreja era marcada
pela perseverança ou paciência triunfadora - A igreja passava pelas provas com
firmeza;
5. A igreja estava em
franco progresso espiritual - As últimas obras da igreja eram mais numerosas
que as primeiras. Essas marcas eram do remanescente fiel e não da totalidade
dos membros.
FOI
REPREENDIA A SEGUINTE CONDUTA DA IGREJA DE TIATIRA:
1. JESUS reprova a igreja por ser tolerante com o falso ensino e com a
falsa moralidade. Enquanto Éfeso não podia suportar os homens maus e os falsos ensinos,
Tiatira tolerava uma falsa profetisa, chamada Jezabel. A segunda Jezabel estava
induzindo os servos de DEUS ao pecado. Pregava que os pecados da carne podiam
ser livremente tolerados. A liberdade que ela pregava era uma verdadeira
escravidão;
2. A tolerância da igreja com o falso ensino provoca a ira de JESUS. A igreja abriu as
portas para essa mulher. Ela subia ao púlpito da igreja. Ela exercia a docência
na igreja. Ela induzia os crentes ao pecado. A igreja não tinha pulso para
desmascará-la e enfrentá-la;
Com a Disseminação do espírito de Jezabel deu-se:
a) Imoralidade,
b) Desvio da sã doutrina
(prostituição) e
c) Idolatria.
CABE-NOS RESSALTAR QUE O PROPÓSITO DE CRISTO
NÃO ERA HUMILHAR A IGREJA, MAS ANTES DE EXERCER O JUÍZO SOBRE ELA, A CONFRONTA
EM MISERICÓRDIA - v. 21.
AO OLHARMOS PARA AS
VIRTUDES DESTA IGREJA, CERTAMENTE NOS IDENTIFICAREMOS COM ELAS, POIS AS
PRATICAMOS NA IBCA; NO ENTANTO, O ORGULHO PODE PRECEDER UMA QUEDA. TEMOS LUTADO PARA NÃO NOS CONTAMINARMOS COM
DOUTRINAS FALSAS.
SOMOS ADMOESTADOS A NÃO BAIXARMOS NOSSA “GUARDA” ESPIRITUAL E PERMANECERMOS VIGILANTES, A FIM DE NÃO
INCORRERMOS NOS ERROS DE ALGUMAS DAS IGREJAS QUE ESTAMOS ESTUDANDO.
O
ESPÍRITO DE JEZABEL
Cabe aqui um esclarecimento acerca deste
espírito de Jezabel (cfe. I Rs 22). A
esposa do Rei Acabe, de Israel, foi considerada a mulher mais ímpia da bíblia;
pois ela rejeitou completamente ao Senhor.
Jezabel foi determinada em fazer com que Israel adorasse seus deuses e
abandonasse ao Deus de Israel. Com sua conduta ela conseguiu levar Israel a um
tal declínio espiritual que culminou com sua queda. Por conta disto, Deus puniu as dez tribos do
norte pela sua idolatria, conduzindo o seu povo ao exílio.
O poder persuasivo de Jezabel controlava o
chefe da nação israelense e mais 850 sacerdotes pagãos. Ela era obstinada, cruel e egoísta (como
quando provocou a morte de Nabote somente para apropriar-se de sua vinha). Ela promoveu a adoração a Baal, Entendia que
um regente podia fazer tudo o que desejasse.
Jezabel representa a
perversão, a feitiçaria, a rebelião e a grande iniqüidade.
O
v. 20 fala da profetiza que é, segundo alguns comentaristas, simbolicamente
chamada ou retratada como Jezabel. Em
alguns manuscritos foi feita a inserção curiosa de “tua mulher Jezabel”, que
implica ser o “anjo da igreja”, o seu administrador. O Dr. Carroll, aceita esta posição:
“Tratava-se da mulher do pastor, por parecer no original a palavra “y u v n”,
que pode significar esposa.
O
v. 23 versa sobre a onisciência de Deus, Ele sonda as verdadeiras intenções
do seu povo. Somos conclamados a uma
analise introspectiva e posterior confissão e abandono da prática do pecado;
para servirmos ao Senhor, andando em novidade de vida.
V.
24 - o espírito de Jezabel era vigente naquela igreja. Somos exortados na atualidade a termos
cuidado com as “profundezas de Satanás”,
que correspondem aos falsos ensinos, ao misticismo, tudo isso envolto de uma
roupagem piedosa, porém fruto do ensino de demônios, objetivando perverter a fé
genuína. Daí a determinação do Espírito
para que nos mantenhamos firmes diante da Palavra de Deus, rejeitando todo
ensino que deixa a bíblia de lado (Gal 1.8-9: “Se algum anjo [...] seja
anátema”); Paulo também nos adverte contra esta filosofia demoníaca em II Cor.
11.1-4.
Quando Jesus determina a escrita destas
cartas aos “anjos” das 7 igrejas em questão, Ele se apresenta como aquele que
tem na destra as 7 estrelas e os 7 castiçais de ouro (igrejas). Em Apocalipse, dentre os títulos que
descrevem Jesus, ele se apresenta como a Estrela da Manhã; uma alegoria que
demonstra que quando o mundo tiver atingido o seu ponto mais sombrio, Cristo
entrará em cena para expor o mal através da luz de sua verdade, concedendo a
recompensa cabível a cada um.
Aqueles
que se prostituem com Jezabel, correspondem aos que abraçaram integralmente a
sua doutrina. A cama ali referenciada no
verso 24, destinada a Jezabel e aos seus asseclas é interpretada como a Grande
Tribulação.
O problema desta igreja centralizava-se
também nas questões comerciais, os grêmios ou sindicatos tinham práticas
ligadas ao paganismo; onde em suas cerimônias comiam alimentos sacrificados aos
ídolos e dedicavam-se a prostituição cultual.
Esta era uma prática desta profetisa que propaga os ensinos dos
nicolaítas.
OS
NICOLAÍTAS diziam que os crentes podiam se entregar a estes excessos, pois por
conhecerem a verdadeira essência da profundeza de Deus, suas almas não se
contaminariam (Rm 6.13). O ensino dela
era que não há mérito em vencer um pecado sem antes experimentá-lo. O argumento
dela é que para vencer a Satanás é preciso conhecê-lo e que o pecado jamais
será vencido a menos que você tenha conhecido tudo por meio da experiência. Mas
a Bíblia diz que não podemos viver no pecado, nós o que para ele já morremos.
Paulo diz, "na malícia... sede crianças (1 Co 14:20) e "que devemos
ser símplices para o mal" (Rm 16:19). b) A falsa moral - A proposta de
Jezabel era oferecer uma nova versão do Cristianismo, um Cristianismo liberal,
sem regras, sem proibições, sem legalismos.
A
DOUTRINA DOS NICOLAÍTAS.
“Tens, contudo, a teu favor que odeias as
obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio”. (Ap. 2.6)
“Assim tens também os que seguem a doutrina
dos nicolaítas, o que eu odeio”. (Ap. 2.15)
Qual o significado da palavra “nicolaítas”
mencionada na carta à igreja em Éfeso? A
palavra nicolaítas significa: superior aos outros. “nicolaítas”, em grego,
é composta de duas palavras: “nikao” e “Laos”. Nikao significa “conquistar” e
Laos significa “povo comum” ou “Laicato” (leigo). Então, “nicolaítas” significa
“conquistando o povo comum ou leigo”.
Os partidários
desta seita seguiam a doutrina de Balaão, que ensinava Balaque a colocar
tropeços diante dos filhos de Israel, e que dizia que os cristãos podiam comer
das coisas sacrificadas aos ídolos e participar das práticas comuns ao
paganismo.
O Salvador aboliu a divisão clero/leigo.
Quando ele morreu, o véu que separava o Criador do povo rasgou-se, pondo fim a
classe mediadora. O Salvador aboliu a necessidade de sacerdotes e ele mesmo se
constituiu o único mediador entre os homens e o Eterno (I Timóteo 2.5).
O sistema de padres das denominações do
mundo, o sistema clerical da denominação do estado, e o sistema pastoral desenvolvido
por apóstolos, patriarca das nações e outros dominadores, são todos de uma
mesma natureza.
O Senhor nos concedeu arbítrio moral,
conforme Gênesis 2.16-17; poder de decisão entre certo e errado; assim sendo,
não devemos nos colocar debaixo de nenhuma autoridade espiritual que não seja a
divina, pois Jesus “é o único mediador entre Deus e os homens, como vimos
acima. Alguns sistemas e visões celulares
tendem a adotar um sistema de pseudo cobertura espiritual humana, disfarçada em
mentoria, o que se constituí em perversão da verdade. Não somos impedidos de buscar orientações e
conselhos em pessoas mais experientes, o que devemos evitar é a subserviência e
a total dependência destas pessoas.
Dentre os princípios batistas, ressaltamos o
do sacerdócio universal dos crentes, tendo na pessoa de Cristo o nosso único e
sumo pastor.
Cremos na suficiência de
Jesus Cristo como Senhor e Salvador, e na eterna salvação dos que nele crêem.
Cremos que no ato de sua fé em Cristo, o novo crente recebe o Espírito Santo
como penhor da herança eterna, iniciando-se, então, o processo da santificação
cujo alvo é tornar o crente semelhante a Cristo.
Cremos na suficiência de
Jesus Cristo como Senhor e Salvador, e na eterna salvação dos que nele crêem.
Cremos que no ato de sua fé em Cristo, o novo crente recebe o Espírito Santo
como penhor da herança eterna, iniciando-se, então, o processo da santificação
cujo alvo é tornar o crente semelhante a Cristo.
Cremos, como
biblicamente fundados, os princípios do sacerdócio universal dos crentes, de
livre exame da Bíblia e, portanto, de livre acesso a Deus, por meio de Jesus
Cristo. Por isso rejeitamos o sacerdotalismo, o sacramentalismo e o ritualismo,
qualquer tipo de hierarquia na esfera espiritual e eclesiástica, e a pretensão
humana de interpor-se entre o crente e Deus.
Cremos, outrossim, no
princípio de autonomia da igreja local e de seu governo congregacional, sob a
liderança de Jesus Cristo, seu único Cabeça.
Cremos, à luz de Efésios
4.11, que o Senhor provê pastores/mestres para Suas igrejas, a eles incumbindo
pregar e ensinar a Palavra, sem mescla de erro, sem distorções, com fidelidade,
dedicação, simplicidade e clareza
(2Tm 4.2-4).
CONCLUSÃO
A advertência destas cartas nos conduz a
audição atenta aos conselhos do Espírito Santo; somos levados a uma reflexão
sobre o momento grave que estamos vivenciando e a lutarmos incansavelmente para
não nos tornarmos indiferentes, imorais, lenientes (tolerantes com o erro),
pacientes, inertes ou descuidados com a nossa fé.
É possível manter-se puro na conduta mesmo
quando outros se corrompem - v. 24.
Para tanto precisamos atentar para os conselhos de Oséias (6.3):
“Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor”.
BIBLIOGRAFIA (ESTUDO COMPILADO COM BASE NO MATERIAL ABAIXO):
BÍBLIA
DE ESTUDOS APLICAÇÃO PESSOAL, CPAD, SBB, 2003.VINE, W. E.; UNGER, Merril F.; WHITE JR, William. Dicionário Vine. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

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